sábado, 19 de novembro de 2011

Resenha – Show 15/11/11 – Tributo ao Redson (Cólera).

Opa pessoal, e aí tudo certo? Bom, eu estou ótima. Quase sem voz, até agora, mas foi por uma boa e grande causa: o tributo ao Redson, que teve no Hangar 110, nesse feriadão da Proclamação da República.
Cheguei lá e já se passavam das 8 da noite. Fiquei meio puta, achando que já tinha começado, mas ainda não. Não me lembro exatamente a hora em que começou, só sei que demorou um bom tempo ainda. Naquela parede do mezanino havia vários cartazes de shows que o Cólera já fez. Acredito que não tinha todos, mas tinha muitos.
As cortinas do Hangar finalmente se abriram. Na parede havia um mural enorme com fotos do Redson. No palco estava o Val e o Pierre. Val disse algumas palavras sobre a falta do Redson, e anunciou que iriam abrir o show com “Bombeiros”. Apenas os dois. Baixo e bateria. A ficha finalmente caiu: o Redson, de fato, não está mais aqui. Val tocava de uma forma como se tivesse olhando para o Redson, no lugar que ele deveria estar.
De início deu um aperto no peito, pois só faltava ele ali, mas aos poucos foi se transformando em algo bom. É como se eu soubesse que, de alguma forma, por mais que não acredite nessas coisas, ele estava orgulhoso em ver aquela grande festa em sua homenagem.
Foto por Lela Gordela
Na seqüência, subiram ao palco o Anselmo (Kolapso 77) tocando guitarra, e o Wendel (Sociedade sem Hino, e também roadie do Cólera) cantando “Qual Violência”. E foi aí também que o público começou a agitar, já que na primeira música ficou todo mundo meio em choque. Acho que com a mesma reação que tive.
Depois Kaká (Garotos Podres)  juntou-se ao grupo assumindo outra guitarra, onde tocou “São Paulo”, “C.D.M.P”, e “Alucinado”. Após essas, o vocal foi substituído por Nenê Altro, e a guitarra por Fausto (ambos do Dance of Days), tocando “Vivo na Cidade”. Em seguida, volta Kaká para a guitarra e Kojeka (Kolapso 77) entra para o vocal cantando “Medo”, “Humanidade” e “Adolescente”. Na seqüência entrou Cherry (Hellsakura) cantando “Gritar” e também tocando guitarra.
Daniel ET (Muzzarelas) foi pro vocal e guitarra com "E.A.E.O". Antes de começar a tocar, disse algo como “se hoje eu sou uma boa pessoa foi graças a esses caras”. Achei muito legal o que ele disse, porque é algo que eu também pensei, tanto que até citei no meu blog quando tudo aconteceu.
Foto por Lela Gordela
Continuando, Clemente (Inocentes) subiu ao palco, cantando e tocando guitarra, em “Subúrbio Geral”, “Duas Ogivas”, “Somos Vivos” e “Amnésia”. Depois Val deixa o baixo para Fabio (Sociedade Sem Hino) e vai para o vocal. Kaká (Garotos Podres) volta para a guitarra. Assim, eles tocaram “Direitos Humanos”
Na seqüência, veio "X.O.T", com Tatola (Não Religião) no vocal, Miro (365) na bateria, Ari (365) em uma guitarra, Helinho (ex-guitarrista do Cólera) na outra, e Val no baixo. Em seguida, entra Finho (365) no vocal e tocam “Deixe a Terra em Paz” e “Águia Filhote”.
Depois, Helinho falou um pouco sobre a próxima música que iriam tocar, “Doce Libertar”, e conta coisas desde o começo da banda, como ele ter sido contra a entrada dessa música no CD (Primeiros Sintomas), por ter uma pegada diferente do resto das músicas. Ele ainda disse que para algumas pessoas a música podia não ter muito sentido, mas que para o Redson era muito especial, por que ele era uma pessoa muito espiritual.
Foto por Renata Lacerda
Como essa música realmente tem uma pegada diferente, que o pessoal ia ficar mais parado, aproveitei o momento para ir ao banheiro. Foi muito estranho, porque do nada entrou uma menina aos prantos, chorando de soluçar. Não tinha cara de ser tretinha idiota com algum moleque, como sempre vejo vez ou outra quando vou ao Hangar. Fiquei me perguntando se era por causa da música, do momento, ou do Redson, ou sei lá. Perguntei se estava tudo bem e ela respondeu que sim. É claro que não estava, mas enfim. Passei no bar para pegar mais uma Heineken e voltei para meu lugar. A música ainda tocava. Em seguida, Wendel foi para o vocal, e veio “E.S.S.M”, “Desforra” e “Passeata”.
A próxima música foi “Quanto Vale a Liberdade”, cantada por Nem (Cama de Jornal), que veio de Vitória da Conquista, Bahia, depois de 24h de viagem de ônibus, só para participar da homenagem. O baixo ficou com Val, e a guitarra com Helinho. Depois veio Ariel (Invasores de Cérebro), que recitou a mesma música. Pierre volta para a bateria. Na seqüência, Houly (Horda Punk), que veio de Porto União da Vitória, Santa Catarina, subiu ao palco para cantar “Histeria”.
Em seguida, João Gordo assume o vocal, junto com Jão (ambos do RxDxP), que assumiu outra guitarra. Tocaram “Palpebrite” primeiro. Depois anunciaram que viria “Em Setembro”. Nessa hora, João Gordo disse que ficou muito encanado com essa música, com ela na cabeça por vários dias, afinal o Redson morreu em setembro (a letra diz “Vai nascer, vai perder, vai morrer ou vencer em setembro”). De fato, eu também pensei a mesma coisa quando tudo aconteceu. Na verdade, acho que todo mundo que curte Cólera.
Dando continuidade ao show, tocaram “Quanto Vale a Liberdade”, novamente, pois João Gordo disse que durante os ensaios sentiu algo muito estranho, como se o Redson estivesse presente. Na seqüência, Alê (Lixomania) foi para o palco. Emocionado, falou um pouco sobre o Redson. Em seguida tocam "X.O.T", novamente.
Foto por Lela Gordela
A próxima música, penúltima da noite, foi “Dia e Noite”. Várias pessoas subiram ao palco para cantar junto, entre elas WendelRenata Lacerda (fotógrafa do Cólera), Deise Santos (Revoluta Produções), Daniel ET, e Ricardo ("Cachorrão"). Nessa eu não agüentei e até chorei. A música é uma de minhas preferidas, e estava muito lindo todo mundo ali, cantando junto. Fechando o show veio “Pela Paz”, com todo mundo no palco ainda, além de várias outras que nem deu pra saber de tantas pessoas que eram.
Foi um show foda de verdade. Durante o tributo, algumas vezes o Pierre veio até o público para falar que ele ainda não tinha chorado pela morte do irmão, e que isso foi graças ao pessoal que sempre apoiou a banda, e pela energia positiva que rolava desde então. Ele ainda disse que o pai deles não sabia da importância que o Redson tinha, e que no velório, ao ver toda aquela gente, ficou feliz por saber que o filho era especial para muitas pessoas, presentes ali ou não.
Já com as luzes acesas, Pierre veio até o público, sem microfone, e agradeceu a presença de todos, dizendo que aquela noite foi muito importante. Poucos minutos depois, Kaká, que ainda estava no palco, chamou eu e minha amiga. Conhecemos ele desde sua chegada ao Garotos Podres, por conta de uma comunidade do Orkut que participávamos assiduamente e que eu moderava, enfim, e aí ele entregou uma palheta para cada uma de nós. Achei muito simpático da parte dele, porque geralmente eles entregam pra quem fica lá, na frente do palco, pedindo.
Bom, eu nem preciso dar minha opinião do show para concluir né? Foi lindo, só isso que posso dizer. Ainda mais porque não ficou aquele monte de gente “sambando” em cima do palco, mesmo porque o Val tinha pedido. Sempre tem um ou outro infeliz né, mas foi bem mais de boa. Enfim, foi um show histórico, que eu tenho muito orgulho de ter participado, afinal moro quase 400 Km de São Paulo, e ter conseguido ir é muito satisfatório.
No mais, senti falta de algumas músicas, como “Meu Igual”, “Caos Mental Geral”, “De ET pra ET”, “Minha Mente”, “E.N.Q”, “Agir”, “Eu Não Sou Você”, “Fuck Iurd” e mais algumas. Mas compreendo que foi tudo muito na correria, pouco tempo pra todo mundo ensaiar e tudo mais. Sendo assim, só posso falar que foi um show fodido e que todo mundo arrebentou. Quero agradecer aqui também o "Ricardo Cachorrão", que me ajudou com o setlist pra eu poder fazer a resenha, porque sozinha eu não lembrava nem a pau.
Parabéns a todos os envolvidos, por fazer um show maravilhoso em homenagem a uma grande pessoa que ta fazendo muita falta, não só na “cena”, mas no mundo mesmo, porque gente do bem igual a ele existem poucas. Se existirem.




8 comentários:

  1. Porra, ficou muito bom! Lendo me fez sentir estar lá com todos! Parabéns!

    ResponderExcluir
  2. Quando o Reds partiu, perdi um irmão, um cara que acompanhava há pelo menos 25 anos... mas, esteja onde estiver, ele curtiu tudo o que fizemos nessa noite, algo de coração, algo DO IT YOURSELF, como ele sempre pautou a própria vida!

    A tristeza pela perda nunca vai cessar, mas a alegria de ter compartilhado inúmeros momentos, será eterna!

    ResponderExcluir
  3. Saudações.
    Impossível descrever a importância do Redson e sua banda pra toda aquela primeira geração que viveu o "faça você mesmo" sem medir as consequências e sem questionar se isso era possível ou não.
    Menos mal que seu legado está vivo - e estará enquanto nós nos incomodarmos com o que está errado, enquanto pensarmos uns nos outros, enquanto nós nos enxergarmos como iguais.
    Muito mais do que música, visual, ideologia, Punk é atitude - e poucos tiveram tanta atitude quanto Redson.
    Uma verdadeira lição deixada através de exemplos.

    ResponderExcluir
  4. Massa essa materia pena não poder ter ido nesta homenagem!! Parabéns!!

    ResponderExcluir
  5. foi lindo demais! Com certeza o Reds ficou feliz com essa homenagem.
    Ele estava lá, no coração de cada um de nós! Parabéns pela resenha :)

    ResponderExcluir

Postagens populares